Terremoto de Bolívia é sentido em vários estados do Brasil

Há relatos de tremores no Paraná e Minas Gerais; prédios foram evacuados em SP

Terremoto na Bolívia é sentido nos predios da Av. Paulista. Alguns prédios foram evacuados na região. 
— Um terremoto de magnitude 6,8 na escala Richter na Bolívia provocou tremores em São Paulo, Brasília e Rio Grande do Sul. Há também relatos no Paraná Minas Gerais. Os tremores foram confirmado pelo Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB).

Em São Paulo, na região da Avenida Paulista, trabalhadores e moradores relataram ter sentido prédios tremerem, sobretudo nos andares mais elevados. Em Brasília, no Setor Comercial Sul, no centro da capital, foram sentidos três abalos pequenos e um maior, que durou mais de 5 segundos. Vários prédios foram esvaziados. Não há relato de feridos.

— É um tremor considerável, mas ainda não sabemos de estragos no Brasil e na Bolívia. Qualquer tremor assim tem reflexos. Por isso, as pessoas sentiram aqui — disse o professor da UnB George Sand França ao G1.

Segundo a Defesa Civil de Brasília, o risco de desastre é pequeno e recomenda normalidade.

Alguns dos edifícios na região foram evacuados, segundo moradores. De acordo com o Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), o terremoto na Bolívia ocorreu às 9h40 a uma profundidade de 555 km, próximo à cidade de Carandayti, na província de Luis Calvo de Chuquisaca. Os tremores foram sentidos em La Paz, Cochabamba e Tarija — não foram registradas vítimas ou desabamentos. Além do Brasil, reflexos do terremoto também atingiram Peru e Chile.

Terremoto na Bolívia teve como epicentro a província de Luis Calvo de Chuquisaca e foi sentido em La Paz, Cochabamba e Tarija – Reprodução

‘SENSAÇÃO DE PRÉDIO BALANÇANDO’

O edifício em que a arquiteta paulista Patrícia Marone, de 27 anos, trabalha não foi evacuado. De acordo com ela, algumas pessoas optaram por descer pelas escadas, como no seu caso, e outras não. Ela afirma que, a princípio, imaginou que estava sentindo tontura ou uma crise de labirintite, até que percebeu que outras pessoas tiveram a mesma experiência.

Na Avenida Nove de Julho, próximo ao Museu de Artes de São Paulo (Masp), a auxiliar-administrativa Mayara Reis, de 28 anos, estava no 11º andar e foi surpreendida quando foi avisada pela portaria do prédio para que deixasse o edifício. Ela não sentiu os tremores, mas outros funcionários relataram ter percebido o abalo.

— A evacuação foi feita de forma calma, pelas escadas de emergência — disse.

Segundo o Corpo de Bombeiros de São Paulo, uma ocorrência foi registrada em razão do abalo sísmico. Duas viaturas foram enviadas para averiguar os relatos na Rua Cincinato Braga, via paralela à Avenida Paulista. De acordo com o Corpo de Bombeiros, não há registro de vítimas.

Em Brasília, foram sentidos tremores no Setor Comercial Sul, no centro da capital. Prédios também foram esvaziados. Também foram esvaziados as sedes da Infraero, da Terracap, da Secretaria de Segurança Pública e do Ministério da Justiça.

TÉCNICO DA USP DIZ QUE NÃO HÁ PREOCUPAÇÃO COM NOVOS TREMORES

Segundo o técnico José Roberto Barbosa, do Centro de Sismologia da USP, onde o tremor foi identificado, há o registro de cerca de 50 episódios similares a esse desde o início da medição, em 1941. Barbosa indica que o impacto de abalos sísmicos em países vizinhos no território nacional depende da magnitude dos tremores e de sua profundidade: tremores acima de 6 na escala Richter e mais profundos tendem a ser sentidos no Brasil. Quanto maior a profundidade do foco do terremoto, maior a velocidade alcançada pelas ondas causadas pelo choque até chegarem à superfície e, consequentemente, maior sua força e a extensão do impacto.

De acordo com Barbosa, a princípio, não há necessidade de preocupação com novos tremores. Embora a Bolívia ainda testemunhe outros abalos menores em razão do primeiro temor pela manhã.

— É preciso que ocorra um conjunto de fatores para que um terremoto seja percebido aqui no Brasil. Pode estar acontecendo um pequeno tremor lá na Bolívia agora, mas que vai ficar por lá — diz.

fonte : asr